A chupeta pode fazer parte dos primeiros anos da criança, proporcionando conforto e auxiliando na sucção não nutritiva. Entretanto, quando o hábito se prolonga, é importante acompanhar seu uso de forma individualizada e observar aspectos relacionados às funções orais, ao desenvolvimento orofacial, à respiração e ao sono.
USO PROLONGADO DA CHUPETA E FUNÇÕES ORAIS
A sucção frequente mantém a língua, os lábios e a musculatura oral em uma dinâmica específica. Dependendo da duração, da frequência e da intensidade do hábito, podem surgir mudanças na postura da língua e na forma como a criança mastiga, engole ou articula alguns sons.
Esses sinais não devem ser avaliados isoladamente. A idade, a fase de desenvolvimento da criança e a presença de outros hábitos orais também precisam ser considerados.
DESENVOLVIMENTO OROFACIAL
O uso prolongado da chupeta pode estar associado a alterações na arcada dentária e na mordida, como mordida aberta anterior e mordida cruzada posterior. Essa relação depende de fatores como tempo de uso, frequência, intensidade do hábito e características individuais de cada criança.
Algumas alterações dentoalveolares podem apresentar melhora após a interrupção do hábito, especialmente quando a remoção ocorre mais cedo e durante o período de crescimento. No entanto, cada situação deve ser avaliada individualmente.
O acompanhamento durante o desenvolvimento ajuda a identificar possíveis mudanças e permite orientar a família de acordo com as necessidades de cada criança.
RESPIRAÇÃO DURANTE O CRESCIMENTO
A respiração nasal desempenha um papel importante no equilíbrio das funções e estruturas orofaciais. Quando a criança permanece frequentemente com a boca aberta, inclusive nos momentos em que não está usando a chupeta, esse comportamento merece atenção.
A respiração predominantemente oral pode ter diferentes origens e não deve ser atribuída automaticamente ao uso da chupeta. Em alguns casos, pode estar relacionada a dificuldades na passagem do ar pelas vias aéreas superiores, entre outros fatores que precisam ser investigados.
Por isso, é importante evitar conclusões precipitadas e buscar uma avaliação individualizada quando esse padrão se torna frequente.
ASPECTOS RELACIONADOS AO SONO
O sono também oferece informações importantes sobre a respiração infantil. Ronco frequente, esforço para respirar, pausas respiratórias percebidas, sono agitado e despertares recorrentes são sinais que merecem avaliação profissional.
A presença desses sinais não significa que a chupeta seja a causa. Não se deve afirmar que seu uso, isoladamente, provocará distúrbios futuros do sono, pois a respiração e o sono infantil podem ser influenciados por diferentes fatores.
Observar como a criança respira e dorme pode ajudar a identificar precocemente situações que mereçam investigação.
SINAIS QUE OS PAIS DEVEM OBSERVAR
Durante o crescimento, alguns comportamentos podem indicar a necessidade de acompanhamento:
* boca aberta com frequência;
* dificuldade para manter os lábios fechados;
* respiração predominantemente pela boca;
* ronco frequente ou esforço para respirar durante o sono;
* pausas respiratórias percebidas durante o sono;
* sono agitado e despertares recorrentes;
* mudanças na mordida, na mastigação, na deglutição ou na fala;
* sonolência, irritabilidade ou alterações comportamentais durante o dia.
Esses sinais podem ter diferentes causas e, isoladamente, não representam um diagnóstico. Observar a criança como um todo permite compreender melhor seu desenvolvimento, sua respiração e a qualidade do sono.
Ao perceber mudanças nas funções orais, na mordida, na respiração ou no sono, os responsáveis devem buscar orientação profissional. A avaliação deve respeitar a idade, a fase de desenvolvimento e as necessidades de cada criança, favorecendo uma condução cuidadosa e individualizada do uso da chupeta.
Dra. Michele Caldas
Odontologia do Sono • Bruxismo • Dor Orofacial • Reabilitação Oral
Membro da International Bruxism Society